A Nossa História


Romaria


A romaria à Sr.ª da Saúde tem grande destaque entre as romarias da região. A sua afirmação iniciou-se no século XIX e continua a atrair multidões.


De acordo com o testemunho de pessoas que viveram estes acontecimentos, nos meados do século XX, a manhã da romaria iniciava-se com a chegada dos ‘ranchos’ de pessoas vindas das diversas povoações da Freguesia de Almaceda e de outras Freguesias vizinhas.

Os ‘ranchos’ iam chegando, a pé, entoando os cânticos à Sr.ª da Saúde, carregando as suas merendas e, após terem dado uma volta à capela e feito as suas orações, arranjavam um espaço nos cabeços circundantes onde, depois de participarem na missa e na procissão, comiam.

Era hábito nomear mordomas para levarem as ofertas para a mesa. De manhã, a Música passava pelas casas das mordomas que a acompanhavam, com as ofertas à cabeça, até chegarem à mesa.

Terminada a procissão, sempre acompanhada pela Música, as ofertas iam a lanço e o dinheiro resultante da sua venda era para a Sr.ª da Saúde.

Frequentemente estas ofertas eram compostas de bolos, filhós, pão, vinho, entre outros elementos, e serviam de merenda aos festeiros que as compravam.

Durante a tarde o bailarico era animado, inicialmente por realejos e/ou por concertinas, e prolongava-se até ao serão.

Na hora da despedida, os ’ranchos’ davam novamente voltas à capela cantando à Sr.ª da Saúde. Nesta altura as picardias, entre os vários ‘ranchos’, eram habituais, sendo frequente as zaragatas com paus (que os homens traziam e escondiam nos cabeços) e pedras, originando alguns ferimentos. Por vezes parecia uma batalha, o ‘rancho’ situado no cimo do monte atirava pedras e obrigava o outro a recuar, subindo o cabeço contíguo. Quando as posições se invertiam, o que tinha avançado recuava. As pessoas assistiam divertidas no adro da capela, junto ao coreto.

Estas lutas eram tão habituais que uma criança ao regressar a casa, quando a mãe lhe perguntou:

- Então gostaste da festa?

Respondeu:

- Hoje não gostei, não houve zaragata.

AG.